Parceria entre Itaú BBA e Citrosuco cria programa inédito que transforma laranjais em créditos de carbono e leva a agricultura regenerativa à nova fronteira da citricultura, o Cerrado.
Lançado durante a São Paulo Climate Week, o Brazilian Citrus Program For Climate Adaptation nasce de uma parceria entre o Itaú BBA e a Citrosuco voltada à inovação, à agricultura regenerativa e à geração de créditos de carbono na citricultura.
O programa atuará inicialmente em cerca de 30 mil hectares de laranjais, com previsão de chegar a algo entre 40 e 50 mil hectares — área equivalente a mais de 42 mil campos de futebol.
O Brasil é o maior produtor e exportador de suco de laranja do mundo. De acordo com a Embrapa, o país responde por cerca de 75% do comércio internacional do produto, com quase 400 mil hectares dedicados à citricultura. Como cultura perene, a laranjeira tem alta capacidade de capturar carbono — de três a quatro vezes mais do que outras práticas agrícolas.
A expectativa é gerar entre 100 mil e 150 mil créditos de carbono por ano, ao longo de 25 anos, o que corresponde a uma redução estimada de 2,5 a 3,5 milhões de toneladas de carbono — suficiente para compensar, em média, o consumo elétrico de mais de 350 mil residências brasileiras por um ano. Os créditos serão comercializados pelo Itaú.
Líder global em área consolidada de laranjais, a Citrosuco tem 29 fazendas próprias que somam 40 mil hectares — total que chega a 130 mil hectares considerando seus fornecedores — e exporta suco para mais de cem países. O programa acompanha a expansão da companhia para fora do cinturão paulista, consolidando o Cerrado como nova fronteira da citricultura.
Entre as práticas incentivadas estão o uso racional da água, adubos verdes, capina ecológica e o controle preventivo de pragas, com destaque para o greening, uma das principais ameaças à citricultura. A iniciativa busca unir produtividade, ganhos para o solo e geração de renda aos produtores via créditos de carbono.
“O programa é um passo relevante na integração entre desenvolvimento sustentável, adaptação climática e modernização do setor agrícola”, afirma Maria Belen Losada, head de produtos de carbono do Itaú. Na divisão de papéis, o banco cuida da estruturação técnica dos créditos e da negociação com compradores, enquanto a Citrosuco engaja citricultores, apoia a prevenção